terça-feira, 28 de agosto de 2018

Modernismo - 2ª geração


A GERAÇÃO DE 30

A geração modernista representa o segundo momento do movimento modernista no Brasil que se estende de 1930 a 1945.  Chamada de “Geração de 30” ou “Fase de Consolidação” dos ideais modernistas, apresentados na Semana de 1922. A literatura brasileira estava vivendo uma fase de maturação, com a concretização e afirmação dos novos valores modernos. A 2ª geração modernista representou um período muito fértil e rico para a literatura brasileira.

CONTEXTO HISTÓRICO: A segunda fase do modernismo no Brasil surgiu num contexto conturbado. Após a crise de 1929 em Nova York, (depressão econômica) muitos países estavam mergulhados numa crise econômica, social e política. Isso fez surgir diversos governos totalitários e ditatoriais na Europa, os quais levariam ao início da 2ª Guerra Mundial (1939-1945). Além do aumento do desemprego, a falência de fábricas, a fome e a miséria, no Brasil, a Revolução de 30 representou um golpe de estado. O presidente da República Washington Luís foi deposto, impedindo assim, a posse do presidente eleito Júlio Prestes. Foi o início da Era Vargas e o fim das Oligarquias de Minas Gerais e São Paulo, denominado de "política do café com leite". Com a chegada de Getúlio ao poder, a ditadura no país também se aproximava com o Estado Novo (1937-1945).

CONTEXTO DE CIRCULAÇÃO: Na instrução pública que se tornou obrigatória e veiculada pelo rádio.

ABORDAGEM: Temas nacionais, sociais e históricos/cotidiano.

MARCO INICIAL:
·         Na POESIA, a publicação “Alguma Poesia” (1930) de Carlos Drummond de Andrade.
              
·         Na prosa, temos a publicação do romance regionalista “A Bagaceira” (1928) do escritor José Américo de Almeida. O nome da obra remete ao local onde se juntam os bagaços da cana (objeto sem valor ou gente miserável). Retrata as consequências da seca, o autoritarismo e brutalidade do senhor de engenho, violência, desavenças familiares, visão rústica do sertanejo em contraste com a visão civilizada.

O ROMANCE DE 30

O grande foco da prosa de ficção foram os romances regionalistas e urbanos.
 Marcado pela rudeza, pela captação direta dos fatos e pela exploração das relações entre o homem - meio natural e social (neorrealista e neonaturalista). A linguagem é simples, direta e contém traços da oralidade compatível com a concepção literária da geração de 22.
O Regionalismo, em especial o nordestino, foi destaque no romance de 30. Os romances regionalistas se caracterizam pelo retrato dos aspectos culturais, linguísticos, geográficos e históricos de cada região. Preocupados com os problemas sociais, a prosa dessa fase se aproximou da linguagem coloquial e regional. Assim, ela mostrou a realidade de diversos locais do país, ora no campo, ora na cidade.
Principais características
  • Regionalismo romântico
  • Romance social
  • Diversidade cultural brasileira
  • Retomada do romantismo e do realismo
  • Perspectiva determinista
  • Narrativa linear

Autores e obras da prosa de 30

José Américo de Almeida (1887-1980) - “A Bagaceira” (1928), marco inicial da prosa de 30. Nessa obra, ele relata o tema da seca e da vida de retirantes.
Graciliano Ramos (1892-1953) se destacou na prosa regionalista com seu romance “ Vidas Secas” (1938). Nele, aborda diversos aspectos do sertanejo e problemas como a seca do Nordeste, a fome e a miséria dos retirantes.
Jorge Amado (1912-2001) foi importante no desenvolvimento da prosa regionalista e urbana, com seus romances:
"O País do Carnaval " (1931): relata a vida de um intelectual brasileiro e suas considerações sobre o Carnaval e o tema da mestiçagem.
  "Cacau" (1933): ambientados na fazenda de cacau no sul da Bahia, relata a vida e exploração dos trabalhadores.
“Capitães de Areia” – 1937: narra episódios da vida de menores entre 8 e 16 anos, que abandonados e marginalizados, cometem delitos para sobreviver. Denúncia do abandono de crianças e adolescentes pelas famílias e pelo poder público.
José Lins do Rego (1901-1957) publica em 1932 seu romance Menino de Engenho”. Ambientada nos engenhos nordestinos, aborda a temática do ciclo de açúcar no Brasil, a decadência dos engenhos nordestinos e suas implicações sociais.

Rachel de Queiroz (1910-2003) – O quinze” – 1930: prosa enxuta, visão crítica das relações sociais e análise psicológica das personagens, as mazelas da estiagem, o coronelismo e a religiosidade do sertanejo. O tema central foi a seca que castigou o Nordeste em 1915.
Érico Verissimo (1905-1975) – “O Tempo e o Vento” – 1949 - composta de três romances – “O Continente”, “O Retrato” e “O Arquipélago” –, a obra narra a saga da formação socioeconômica e política do estado do Rio Grande do Sul.


POESIA DE 30
As principais características da poesia de 30 são:
  • Liberdade formal;
  • Experimentação estética;
  • Uso de versos brancos e livres;
  • Universalismo;
  • Ironia e humor;
  • Regionalismo e coloquialismo;
  • Rejeição ao academicismo.

Autores e obras da Poesia de 30

A Poesia de 30 caracteriza-se pela abrangência temática em virtude da racionalidade e questionamentos que norteavam o espírito dessa geração.
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) foi, sem dúvida, um dos maiores representantes, sendo o precursor da poesia de 30, com a publicação de “Alguma Poesia”, em 1930.
Poema de Sete Faces (fragmento)
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
[...]
Cecília Meireles (1901-1964), com forte influência da psicanálise e da temática social, é considerada uma das maiores poetisas brasileiras. Desse período destaca-se as obras: "Batuque, samba e Macumba" (1933), "A Festa das Letras" (1937) e "Viagem" (1939).
Motivo – Cecília Meireles
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Mário Quintana (1906-1994), chamado de “poeta das coisas simples”, possui uma vasta obra poética. Desse período merece destaque seu livro de sonetos intitulado “A Rua dos Cataventos”, publicado em 1940.
A Rua dos Cataventos
Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.
Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.
Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arrancar a luz sagrada!
Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!

Murilo Mendes (1901-1975), além de poeta foi destaque na prosa de 30. Atuou como divulgador das ideias modernistas na revista criada na primeira fase modernista “Antropofagia”. De sua obra poética merece destaque: "Poemas" (1930), "Bumba-Meu-Poeta" (1930), "Poesia em Pânico" (1938) e "O Visionário" (1941).
Poema Espiritual
Eu me sinto um fragmento de Deus
Como sou um resto de raiz
Um pouco de água dos mares
O braço desgarrado de uma constelação.
A matéria pensa por ordem de Deus,
Transforma-se e evolui por ordem de Deus.
A matéria variada e bela
É uma das formas visíveis do invisível.
Cristo, dos filhos do homem és o perfeito.
Na Igreja há pernas, seios, ventres e cabelos
Em toda parte, até nos altares.
Há grandes forças de matéria na terra no mar e no ar
Que se entrelaçam e se casam reproduzindo
Mil versões dos pensamentos divinos.
A matéria é forte e absoluta
Sem ela não há poesia.

Jorge de Lima (1893-1953), chamado de “príncipe dos poetas”, foi escritor e artista plástico. Na poesia de 30 colaborou com as obras "Poemas" (1927), "Novos Poemas" (1929) e "O Acendedor de Lampiões" (1932).
Essa Negra Fulô (fragmento)
Ora, se deu que chegou
(isso já faz muito tempo)
no bangüê dum meu avô
uma negra bonitinha,
chamada negra Fulô.
Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!
Ó Fulô! Ó Fulô!
(Era a fala da Sinhá)
— Vai forrar a minha cama
pentear os meus cabelos,
vem ajudar a tirar
a minha roupa, Fulô!
Essa negra Fulô!
Essa negrinha Fulô!
ficou logo pra mucama
pra vigiar a Sinhá,
pra engomar pro Sinhô!
 [...]

Vinícius de Moraes (1913-1980) foi outro grande destaque da poesia de 30. Compositor, diplomata, dramaturgo e poeta, publica em 1933 seu primeiro livro de poemas “Caminho para a Distância” e, em 1936, seu longo poema “Ariana, a mulher”.
Soneto de Fidelidade
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Os poetas da segunda geração do modernismo deram continuidade às conquistas dos primeiros modernistas e criaram novas possibilidades temáticas, perpetuando a nova concepção de Literatura defendida por seus antecessores e levando adiante o projeto de liberdade de expressão que possibilitou até mesmo uma revisitação da literatura clássica.


 

 

REFERÊNCIAS

 

Disponível em https://www.todamateria.com.br/segunda-geracao-modernista. Acesso em 16/08/18.

 

Disponível em https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/literatura/modernismosegunda-fase-literariapoesia.htm.  Acesso em 16/08/18.

 


                                                          

Redação- UEMA



REDAÇÃO DA UEMA: ESTRUTURA E CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO
1 Compreensão do tema: evitar fuga ao tema.
·         Assim como no ENEM, o candidato deve demonstrar que compreendeu o tema proposto.
·         O primeiro passo é ler com muita atenção cada palavra que constitui o tema e os textos motivadores.
·         É importante fazer uso dos conhecimentos adquiridos nas leituras dos noticiários e ao longo da sua formação acadêmica (conhecimentos  sociológicos, filosóficos, históricos, ambientais, geográficos, literários, culturais, entre outros), que sejam relacionados ao tema;
·         É válido usar citação, principalmente das obras literárias adotadas pela UEMA em 2018 (dando crédito ao autor), assim como fazer alusão histórica.
2 Atendimento à tipologia textual exigida: texto dissertativo-argumentativo.
·         Dissertação: o que sei (informações, fatos, acontecimentos);
·         Argumentação: o que penso (suas ideias, opiniões);
·         O foco é a defesa do seu ponto de vista, o que deve ser feito com argumentos sólidos e  verossímeis (os argumentos devem prevalecer sobre a exposição: o candidato deve expor o que sabe, usando argumentos consistentes e pertinentes sobre as informações expostas);
·         Elaborar o texto respeitando a estrutura do texto dissertativo - argumentativo (introdução, desenvolvimento e conclusão) e em prosa;
·         Se na introdução (em que apresentou a tese) você usou dois (2) argumentos para sustentá-la, o ideal é que sejam dois (2) parágrafos no desenvolvimento, sendo um (1) parágrafo para cada argumento, ou seja, apresente nova ideia em cada parágrafo, mas sempre relacionada à introdução e que leve à conclusão;
·         A conclusão (conhecida como conclusão – resumo ou conclusão – síntese) é o fechamento e deve sintetizar/resumir a ideia principal do texto, acrescentando algo ao leitor (hipoteticamente seria a “moral do texto”, o que você gostaria que os leitores/examinadores soubessem sobre o tema abordado por você, de forma resumida).
OBS: Esse tipo de conclusão difere da conclusão exigida no ENEM, pois não é comum a UEMA contemplar temas relacionados a problemas sociais, sendo assim não exige uma intervenção.
3 Norma culta: demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa.
·         Será avaliado o rigor gramatical (uso da norma culta), o que não significa usar palavras rebuscadas cujo significado o candidato desconheça;
·         Adotar um vocabulário simples evitando gírias, marcas da oralidade e clichês.
4        Coesão textual: estabelecer relações lógico-discursivas.
·         Coesão é a capacidade de articular as ideias e construção de argumentos claros. É a habilidade de construção das relações referenciais do texto por meio de articuladores ou conectores (pronomes, conjunções, advérbios etc.) e outros recursos linguísticos como a pontuação;
·         As relações de sentido (coesão) podem ser ANAFÓRICAS (quando um elemento se refere a outro elemento que apareceu anteriormente no texto) ou CATAFÓRICAS (quando um elemento se refere a outro que aparecerá posteriormente no texto);
·         Usar conectivos (intraparágrafos e entre parágrafos) permitindo a sequência de ideias, de forma que estes fiquem interligados e haja uma sequência de ideias (um parágrafo coeso e coerente desperta, no leitor, o interesse em ler o parágrafo seguinte);
·         Evitar períodos longos, repetição de palavras (use sinônimos) e de argumentos;
·         Escrever as estruturas sintáticas completas (concluir cada sentença).

5 - Coerência textual: pode ser entendida como o nexo, o sentido, a lógica que se confere ao  texto.
·         Aliada à coesão, a coerência tem como função a construção dos sentidos da textualidade, pois viabiliza o entendimento da mensagem transmitida no texto;
·         É importante usar os conectores adequadamente (coesão) para evitar contradições e construir uma cadeia lógica de argumentos;
·         A coerência transmite uma relação lógica de ideias que se complementam, não se contradizem e conferem significado à mensagem, assim como favorecem a continuidade dos sentidos e a compreensão;
·         Obedecer a uma sequência lógica de acontecimentos para sustentar a argumentação e possibilitar a compreensão da conclusão.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Regência nominal


Regência Nominal
A regência ocorre quando um termo principal (regente) tem o seu sentido complementado por outro termo (regido). Certos nomes (adjetivos, advérbios e substantivos) exigem a presença de um termo para completar o seu sentido - a preposição - que tem a função de  estabelecer uma relação entre esses nomes  e os seus complementos.

Leia o cartum:


 



Na fala do último quadro “... que tenho vergonha alheia de mim mesmo!” O termo vergonha exige a preposição de para ligar-se ao seu complemento mim mesmo.
Outros exemplos:
Estamos cientes do problema
Tenha cuidado com o cachorro.
Está preocupado com o trabalho.
Tenho doces lembranças da infância.
Seu caderno é semelhante ao meu.
Regência Nominal é a relação que se estabelece entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e seu respectivo complemento nominal. Essa conexão dos termos é feita por intermédio da preposição exigida pelo nome.
Exemplos:
Aquelas pessoas estão dispostas a tudo.
Todos estão aptos a realizar a prova.
Estou ávida pelo sucesso.
É curioso de ver.
Ele é inepto para as ciências exatas.
Estamos propensos a desistir.


Lista de alguns nomes e as preposições regidas por cada um deles segundo a norma-padrão.

- acessível a
- adequado a

- ambicioso de

- análogo a
- avesso a
- grato



- contíguo     

- curioso a, de  
- digno de
- fácil de
- fiel a

- falto de 
 - hábil em   
- horror a
- inábil para

- incompatível com 
- indeciso em 

- longe de 
- liberal com
- livre de
- mau com, para, para com

- misericordioso com, para com
- natural de
- nocivo a
- obediência a
- obrigação de
- oposto a
- paralelo
- perito em
- perto de 

- preferível
- propício a

- propenso a, para   

-  próximo a, de
- satisfeito com, de, em, por 
- sensível
- suspeito de 

- temeroso de
- útil a, para
- vizinho a, de