terça-feira, 19 de dezembro de 2023

 

 

            Cápsula do tempo

                     (Asor Almeida)

Encontrei uma cápsula do tempo,

Velejando ao ritmo das ondas do mar,

Contendo coisas raras e magníficas,

Como expectativas do que é amar.

 

Havia ali um coração puro e digno,

Num helicóptero que fazia voos rasantes,

Pois obteve passagem para o futuro

Advogando mensagens emocionantes.

 

Na entrada vi um réptil bem engenhoso,

Sempre atento fazendo a recepção,

No fundo, um cacto cheio de espinhos,

Abrir essa cápsula não era uma opção.

domingo, 10 de dezembro de 2023

 

MEU CACHORRO NÃO É MAU

                                (Asor Almeida)

 

Meu cachorro não é MAU

Ele é muito BOM

Ele faz AU AU

Quando ouve muito som.

 

Meu cachorro não faz MAL

Ele só faz BEM

Vive para mim

E para você também.

sábado, 1 de julho de 2023

 

O aprendiz que habita em mim   

 

Esculpido pelo autor da criação

Pincelado em tom neutro ou carmim

Pintado em várias demãos

O aprendiz que habita em mim.

 

Submerso em várias camadas

Com cores de uma aquarela
Pinceladas suaves ou retocadas

Ora verão, ora primavera.

Entre a razão e a emoção

Sapiência que a vida traz

No alcance de cada aspiração

Uma camada se desfaz.

 

Desde a mais tenra idade

A vida é o curso de um rio

Por ela tenho curiosidade

E suas nuances aprecio.

 

Desbravador do mundo

Vivo com ímpeto e fervor

Satisfaço desejos profundos

Sou ora guerra, ora amor.

 

Aprecio cores e formas

Aprovo suas texturas

Por vezes burlo as normas

Compondo tramas e tessituras.

 

Uso as vivências como motriz

Com mansidão ou com ardor

Vou colorindo em vários matizes

A tela de um aprendiz desbravador.

 

Busco em minha essência

Inspiração e energia

Retrato minha resiliência

Em cores quentes ou frias.

 

 

 

 

 

Como uma rosa sob o vento

Bela, jovem e atrevida

Curto cada momento

Descubro faces escondidas.

 

Análogo a uma flor despetalada

Um novo emboço aparece

Novas facetas são reveladas

O autoconhecimento acontece.

 

Percorro curvas e retas

Sendo aprendiz do meu eu

A sabedoria é minha meta

A maturidade é o apogeu.

 

Descobridor de mim e da vida

Desvelo-me em cada demão

Nessa procura aguerrida

Encontro minha melhor versão.

 

E o aprendiz que habita em mim

Como uma eterna criança

Registra em capítulos sem fim

Memórias de sua eterna infância.



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

              Brado da fênix

 

No princípio, fogo e paixão

Alfa e ômega em perfeita sintonia

Construindo um castelo de ilusão

Nas brumas da falsa harmonia.

 

Sob a máscara da gentileza

Um lorde a cortejá-la com fervor

Mimos e reverência a sua beleza

Na trilha sonora, serenatas de amor.

 

Elogios são gotas de orvalho

Regando o ego da flor enamorada

O prelúdio romântico é um atalho

Que a ilude e a deixa inebriada.

 

Ciúmes alimentam a vaidade

Concebidos como prova de amor

Ocultam a macabra verdade

O enredo de um filme de terror.

 

A face cruel da violência

Aos poucos vai sendo revelada

Agressões substituem a reverência

De súbito, a flor é despertada.

 

Grito preso na garganta

Por medo ou por amor silencia

Submissa, seu flagelo se agiganta

O machismo perpetua sua agonia.

 

 

O amor torna-se cúmplice

O medo seu grande algoz

Orbita, num mutismo súplice,

Nas teias de um destino feroz.

 

Crendo que a dor seja passageira

Perde aos poucos o vigor e a vaidade

Da alienação vira uma prisioneira

Sacrifica seu eu e sua sanidade.

 

Submersa num mundo opressor

Oculta marcas no corpo e na alma

Subjugada pelo seu agressor

No martírio, a fé lhe acalma.

 

No caminho pavimentado por prantos

Gerados pela violência física e moral

Descobrir que se basta é um acalanto

É desabrochar para uma vida normal.

 

Tendo acesso ao conhecimento

Extrai força de suas entranhas

Para pôr fim ao sofrimento

E do tirano superar as artimanhas.

 

Quebra o silêncio, rompe as amarras

Um brado ressonante da alma a ecoar

Sai do jugo, solta-se  das garras

Rumo à liberdade, uma fênix a voar.

 

                              Asor Almeida

 

Viral

              (Asor Almeida)

 

Do alto de sua virulência

Um parasita pode se multiplicar

Provocando inúmeras doenças

E a vida humana complicar.

 

As patologias virais

Têm poder de letalidade

Ou apenas sintomas gripais

Com baixa agressividade.

 

Carga viral que ataca a imunidade

No convívio social é disseminada

Como prevenção à enfermidade

Restrição social é recomendada.

 

Se a ofensiva não for letal

Repouso e canja de galinha

Eis o tratamento ideal

Para pôr o vírus na linha.

 

Tendo potencial avassalador

Causa danos como uma pandemia

Por ser altamente devastador

Exige cuidados com assepsia.

 

 

Porém, o vírus mais letal

É o que, nas redes sociais, viraliza

Pois os sintomas vão além do virtual

Sob seus efeitos, a honra agoniza.

 

Por ele é imposto o isolamento

Não para evitar a contaminação

Mas pela lei do cancelamento

Para que se alcance a “perfeição”.

 

VALEU, AMIGA!

 

Com um afago,

um sorriso,

durante a tormenta,

trouxe um sopro de paz.

 

Com um abraço,

um carinho,

na hora mais difícil,

mostrou-me que sou capaz.

 

Com um toque,

um ombro amigo,

movendo as pedras do caminho,

mostrou-se sábia e sagaz.

 

Você foi um alento,

um acalanto,

dando à vida encanto,

com um gesto vivaz.

 

Valeu, amiga!

Na minha trajetória,

você foi essencial!

                        Asor Almeida

 

UM SER CHAMADO MÃE...

                                              Asor Almeida

Dotado, por Deus, com superpoderes

Enviado à Terra em missão especial

Seu cartão de visita é o sorriso

Em essência, um ser puro e sem igual.

 

Capaz de renunciar a si em nome da prole

Com um coração a pulsar forte e terno

Seu amor encontra até quem se distancia

Cria a impressão de que aqui será eterno.

 

Missão cumprida, retorna aos braços do Pai

Deixando saudade e a dor da sua partida

Sendo alento e conforto lá do firmamento

Como brisa, toca-nos seu amor sem medida.